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2010-12-03

A Partida da Morte

Pedro Sciarotta

Uma triste história do esporte que nos faz pensar sobre os direitos do cidadão e a história em que vivemos.


O Começo

O dia 22 de junho de 1941 está marcado na história. Foi quando Hitler começou a Operação Barbarossa, quebrando o pacto de não-agressão com a União Soviética. Os alemães rumaram para Kiev, na Ucrânia, e Minsk, na Bielorrúsia, dois países que faziam parte do regime "socialista". Os soviéticos foram pegos de surpresa, e não conseguiram evitar que em poucos dias as duas cidades fossem tomadas pelos nazistas.

Só em Kiev, foram capturados mais de 600 mil soldados soviéticos, logo abrigados em condições precárias. Os prisioneiros "inofensivos" puderam voltar a viver na cidade, agora tomada pelos alemães. E assim foi o caso de 8 jogadores do Dynamo Kiev, vivendo sem abrigo e sem comida nas ruas ocupadas.




Kiev destruída após o ataque nazista
Nossa história começa com Iosif Kordik. Kordik possuía ascendência alemã, e por isso era gerente na Padaria Nº 3 da cidade ocupada. Certo dia, ele encontrou o "gigante" Nikolai Trusevich, ex-goleiro do seu time Dynamo Kiev, andando pela cidade. Decidiu contratá-lo para a padaria, dando abrigo e comida para seu ídolo.

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2010-11-10

Panfletagem eleitoral

Agora um pouco de cidadania na editoria de esportes. Esta é uma reportagem produzida por alguns dos integrantes da editoria para aula de videojornalismo. Fala um pouco sobre os problemas causados pelapanfletagem eleitoral

Editoria de esportes ( siga-nos no twitter @esportecultural)

2010-10-17

Uma idéia que beneficia muitas VIDAS



Nos meus anos de ensino médio no Colégio Bandeirantes, tive a sorte de ter como professora de inglês Patrícia Goloni Lolo. Em suas aulas, sempre divertidas, era recorrente ouvir comentários de seu filho, fruto da relação muito admirada pelos alunos com o professor de matemática Gleney Andreotti Lolo. Gabriel, sempre que aparecia pelos corredores do colégio chamava muita atenção por seus olhos extremamente azuis como os do pai. Tendo nascido com uma deficiência física, Patrícia sempre procurou proporcionar a ele as melhores condições possíveis. Aluno de uma escola tradicional, Gabriel sempre esteve em contato com crianças que não possuíam a mesma condição que ele e, por muitos anos, viveu de igual para igual com todos. Sendo da natureza do ser humano, sempre que Gabriel precisava de ajuda em algo, muitos colegas estavam a disposição para ajudá-lo e o faziam de bom grado, levando-o a acreditar que era um menino realmente especial e que teria sempre suas vontades atendidas em menos de dois segundos.
Mas essa situação ia completamente contra os princípios de Patrícia, que criou um caminho inverso. Sua idéia era proporcionar a Gabriel um contato maior com pessoas que estivessem na mesma condição que ele e tivessem que superar os mesmos obstáculos todos os dias. Levando em consideração a paixão de Gabriel por esportes, a primeira atitude tomada por Patrícia foi procurar um local que tivesse as condições adequadas para isso, porém não obteve sucesso em sua procura. Junto à isso, Patrícia sentia uma necessidade de retribuir ao mundo todas as oportunidades que teve e isso levou a professora que já possuía muitos fãs a germinar uma idéia em sua cabeça. Assim nascia VIDAS, Vivência e Inclusão da pessoa com Deficiência por meio de Atividades e Sensibilização, uma ONG que utiliza dos espaços do Colégio Bandeirantes aos sábados à tarde para realizar suas atividades.

Apesar de o esporte ter grande importância no VIDAS, ele não é a finalidade principal do trabalho; a bola, para eles, é apenas um meio. Através das atividades desenvolvidas de forma lúdica e respeitando a idade e limitação de cada um, a ONG tem como principal objetivo dar a criança e ao adolescente com deficiência física oportunidades de socialização. “Realmente acredito que a convivência social é importante na formação do indivíduo e que o esporte é um grande agente transformador e potencializador das várias capacidades humanas.”, afirma Patrícia. Além das crianças, o VIDAS estende suas atividades para além do deficiente, uma vez que essa situação mexe com toda a estrutura familiar. Assim, pais e irmãos encontram na ONG um espaço para terem um tempo para si próprios, com atividades como oficinas de artesanato, teatro, música, aulas de yoga e expressão corporal, grupos de discussão, entre outras. “Enquanto as crianças estão na quadra, as mães estão fazendo a atividade delas, tendo um momento só pra elas, filho não entra.”
A iniciativa de Patrícia foi tão bem aceita pelo Colégio, que além do espaço físico oferecido, muitos professores e alunos se colocaram a disposição do VIDAS como voluntários. Num sistema de revezamento de cerca de 60 alunos-voluntários, a ONG tem, todos os sábados, por volta de 15 alunos auxiliando em todas as atividades, não só como “cuidadores”, ficando lado a lado de cada criança, como também na parte técnica, tirando fotos, organizando as atividades com os familiares, preparando os relatórios pós-atividades, feitos semanalmente, e na alimentação do blog da ONG.
VIDAS tem ganho cada vez mais espaço e seu sucesso aumentou tanto que já existe uma lista de espera para aqueles que querem participar de suas atividades. Todos os inscritos passam por uma avaliação e conforme vão surgindo vagas de acordo com a disponibilidade de cada grupo, as crianças, que devem ter entre cinco e 18 anos, são chamadas, sem haver qualquer tipo de restrição. “Damos prioridades a crianças com deficiências físicas, mas aceitamos praticamente todos, até porque é difícil uma criança ter uma deficiência isolada ou não ter um comprometimento cognitivo advindo de suas deficiências físicas”, diz Patrícia.
Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre a eficiência das atividades da ONG, perguntei à Patrícia sobre uma mudança na atitude de crianças que participam de suas atividade desde o início. Como resposta, ela disse que já percebe que algumas que não eram muito sociáveis e nem sorriam muito, já o fazem e gostam do contato com outras crianças. Citou como exemplo uma participante que, ao entrar no VIDAS, não aceitava conduzir sua própria cadeira de rodas e, em apenas alguns meses de freqüência, mudou de atitude e o faz. Além disso, falou do próprio Gabriel, que hoje já pensa nas dificuldades das crianças com quem convive na ONG até quando ajuda Patrícia a decidir sobre as atividades que fará no sábado seguinte.
Para mais informações sobre o funcionamento do VIDAS e de como participar de suas atividades, a ONG possui um site que é freqüentemente alimentado com fotos e novidades. Nessa mesma página virtual, existe um espaço para quem quiser se voluntariar ou ser doador de uma iniciativa que partiu de um caso particular para beneficiar uma série de outras pessoas.


2010-10-04

Política F.C

Por Lucas Bueno


A vida no esporte de alto nível é curta e intensa. Um dos momentos mais delicados da carreira dos desportistas se dá quando esses decidem pela paralisação de suas atividades no esporte, por motivos diversos: contusões, incapacidade técnica ou pela idade. A maioria dos atletas, principalmente no futebol, alegam não saber fazer outra atividade, por isso a dificuldade de abandonar suas carreiras.
Alguns dos mais renomados esportistas do Brasil ocupam seu tempo vago após a “aposentadoria” ingressando na vida política. Eles não pensam duas vezes para voltarem à vitrine, só que desta vez do lado dos engravatados.
Romário, Bebeto, Roberto Dinamite, Dinei, Vampeta, Marcelinho Carioca, Darlei, Marques, são alguns jogadores que concorreram nesta eleição de 2010.

O ex-ídolo nacional, o camisa 11, Romário, autor de mais de mil gols, candidatou-se ao cargo de deputado federal no estado do Rio de Janeiro, pelo PSB, e conquistou 146.859 votos, garantindo sua vaga na Câmara.
O gaúcho Darlei, goleiro gremista, destaque na década de 90, elegeu-se deputado estadual no Rio Grande do Sul, com 173.787 votos. Migrando do Sul para o Sudeste brasileiro encontramos o caso mais curioso das eleições dos esportistas. Os mineiros elegeram para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado, o ex-jogador e ídolo incontestável da equipe do Atlético-MG, Marques. O interessante nessa história é que o jogador abandonou os gramados no dia 19 de maio de 2010, a menos de seis meses das eleições e já encontrou outra ocupação para sua vida. Com 153.225 dos votos representará o PTB entre os deputados.
Folclóricos jogadores corinthianos, como Vampeta e Dinei, não conseguiram quantidade de votos considerável para elegerem-se.

Os demais esportes também foram representados nessas eleições. O ex-pugilista Popó, dono de quatro cinturões da Organização Mundial de Boxe, tentou uma vaga para deputado federal na Bahia. Conseguiu 60.216 votos, mas não o bastante para conquistar uma vaga. Nas piscinas, Rebeca Gusmão, que foi suspensa do esporte por casos de doping, almejou uma vaga para deputado distrital do Distrito Federal, mas conseguiu apenas 437 votos.
Todos esses números provocam uma pergunta. Por que tantos ex-atletas têm o interesse de serem políticos e muitos deles são eleitos?
A sociedade brasileira exalta excessivamente os atletas, principalmente, os futebolistas. Eles são colocados em uma posição superior, todos seus atos e feitos são ampliados, observados e analisados. Muitos são utilizados como exemplos de homens a serem seguidos. Quando chegam as eleições esses “astros” utilizam suas imagens para conquistarem milhares de votos. Essa ação marqueteira é eficiente, porque uma grande parcela dos eleitores não consegue ainda dissociar a “pessoa civil” do esportista. Votam pelos jogos, gols, títulos, marcas e se esquecem das propostas do candidato.
A explicação para esse fenômeno da eleição dos desportistas ainda é confusa, mas eles já iniciaram a vida política como todos os outros políticos, prometendo, prometendo e prometendo.